[Dica de Livro] Don´t bullshit yourself! Crush the excuses that are holding you back

Nome do livro: Don´t bullshit your self! Crush the excuses that are holding you back

Autor: Jon Taffer (https://jontaffer.com/)

Editora: Portfolio Penguin

Ano: 2018

Idioma: inglês (acredito que devam lançar em breve versão em português)

A tradução literal do título cita que “não é besteira sua! Derrote as desculpas que estão te atrapalhando”, ou seja, trata de um livro que levanta a discussão do homem estar se ludibriando ou procrastinando com determinadas atitudes, seja na vida pessoal ou profissional. Sabemos que por diversos motivos estamos nos justificando (ou procurando desculpas) por nossas ações tomadas, de forma negativa (na maioria das vezes) ou positiva.

O seguinte trecho é interessante pois consegue resumir a introdução do livro e mostrar como será a abordagem do autor:

“Frustrated that nothing is going your way and it feels like there´s nothing you can do about it? You might be making excuses and not even realize it. I reject excuses and embrace solutions. When I´m done with you, you will too.”

(“Frustrado que nada está evoluindo e parece que não há nada que você possa fazer sobre isso? você pode estar dando desculpas e nem percebe isso. Eu rejeito desculpas e abraço soluções. Quando eu terminar com você, você fará também”.)

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Deste modo, o autor segrega o livro em 6 capítulos os quais são as mais prováveis desculpas que o ser humano pratica, sejam eles: Medo; Sabedoria; Tempo; Circunstâncias; Ego; e Escassez. Em todos eles, são mostrados casos (nos negócios principalmente), principais frases ditas, lista de como contornar tal desculpa e, no início de cada capítulo, mostra uma reflexão partindo de uma frase por renomada personalidade (exemplo: Steve Jobs, Warren Buffet, etc).

Muito interessante a abordagem do autor, algo ainda não visto por mim. Segue um exemplo sucinto que o autor desenvolveu no capítulo sobre Medo:

Reflexão: A inação gera dúvidas e medo. Ação gera confiança e coragem. Se você quer vencer o medo, não se sente em casa e pense sobre isso. Saia e mantenha-se ocupado.
Caso: Google. Iniciou atividades em 1996 com propósito de vender itens de pesquisa (buscador na internet), softwares para indexação de documentos para empresas, entre outros serviços. Porém, todos eles não geravam retorno e a empresa no prejuízo, deste modo, a equipe desistiu dos negócios. Todavia, revisando os dados que possuíam, a equipe percebeu um relacionamento entre itens que as pessoas pesquisa e produtos/serviços os quais almejavam adquirir, portanto, eles lançaram o programa AdWords o qual contornou toda a situação da Google.
Principais frases ditas (e/ou que se escuta constantemente): ·         Estou com medo de falir;

·         Estou com medo de ser humilhado ou intimidado;

·         E se eu errar?

·         Outros tentaram e faliram;

·         Não existem garantias;

·         O que vai ocorrer com minha reputação?

Atividades para contornar: ·         Enfrente o medo através da divisão em pequenos pedaços as ações. Dê um passo de cada vez;

·         Assuma risco. Pergunte-se: meu medo é racional? Caso sim, qual a perda que pode ocorrer? E o potencial caso não?

·         Tenha um plano B;

 

Recomento a leitura, independente do momento profissional ou pessoal que esteja vivendo. A linguagem é direta e objetiva, sempre conversando com o leitor e transmitindo de forma fácil a ideia. Atenção nos casos explicitados pois neles constam keywords importantes e reflexivos. Inclusive, apesar do livro ser curto (194 páginas), sugiro que a leitura seja lenta e com intervalos para reflexões, deste modo, acarreta um bom período de tempo (dias) para leitura.

Gostou? Então deixe seu comentário ou sugestão.

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Onde Neymar foi parar?

Não, não irei responder essa pergunta esportivamente falando. Nem irei falar da sua vida social ou da idolatria (e revolta) que o cerca. A pergunta que faço e que responderei ao longo do post é: onde Neymar foi parar quando foi contratado pelo Paris Saint Germain por 222 milhões de euros e o tornou a transferência mais cara da história do futebol, nos registros contábeis do PSG?PSG contrata NeymarSeria Neymar um ativo? Uma despesa? Vejamos…

Para ser reconhecido como ativo, antes de tudo, é necessário atender a definição de ativo, ou seja, um recurso controlado pela entidade, decorrente de eventos passados, e do qual se espera que fluam benefícios econômicos futuros (CPC 00).

Então, precisamos responder a três perguntas:

  1. Ele é um recurso controlado pelo PSG?
  2. Decorre de um evento no passado?
  3. Vai gerar benefícios econômicos para o clube?

Comecemos de trás para frente. Para o ponto 3., ao contratar Neymar, o PSG espera gerar benefícios econômicos futuros, seja por venda de camisas, aumento de sócios-torcedores, venda de ingressos nos estádios, patrocínios, premiações por títulos, etc.

Venda de camisas Neymar

Em relação ao ponto 2. evento passado (o conceito sofre críticas por ser essa característica uma redundância), tem-se uma transação e a assinatura de um contrato que deu origem ao vínculo de Neymar com o PSG, logo, esse aspecto da definição também é atendido.

Mas, no que tange ao ponto 1., e o controle? O PSG controla Neymar?

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Sim! Neymar é um recurso controlado pelo clube.

Vocês podem, então, perguntar: por que o capital intelectual que eu possuo na minha empresa não está ativado e eu não o visualizo no meu Balanço?

A resposta é simples: por mais que se espere benefícios econômicos futuros oriundos do capital intelectual de uma empresa, poucos casos existentes, podem-se dizer que exista controle sobre esse capital intelectual. Além disso, uma vez atendida a definição, para que haja o reconhecimento no Balanço Patrimonial como ativo, é necessário atender aos dois outros critérios de reconhecimento:

  • Probabilidade de obtenção de benefícios econômicos futuros;
  • Mensuração com confiabilidade.

Da mesma forma, nem sempre se tem uma transação não forçada, entre partes conhecedoras do negócio, que permita a mensuração com confiabilidade do valor do capital intelectual, diferentemente, de uma transferência envolvendo jogadores de futebol.

Mas então, como o PSG controla Neymar?

ITC - Neymar

Neymar é controlado, pois a Federação Internacional de Futebol (FIFA) regula o exercício da profissão, de tal modo que, o jogador não pode ser registrado para jogar por um clube sem que o clube anterior tenha liberado o International Transfer Certificate (ITC).

Portanto, Neymar foi parar no ativo, mais especificamente, no ativo intangível, já que mesmo ele sendo tangível, o que efetivamente está se comprando são os direitos federativos do jogador, sendo assim, um ativo identificável sem substância física.

O mais interessante é que sendo ativo intangível, ele está sujeito a amortização, bem como, ao teste de recuperabilidade (impairment test). Isso quer dizer que, se existir evidências de que o valor contábil de Neymar não é recuperável economicamente, seja através do uso (fluxo de caixa estimado descontado) ou da venda (valor líquido de venda estimado), será necessária a realização do teste de impairment, e talvez, o reconhecimento de uma perda estimada por desvalorização. Será que o Paris Saint Germain já testou a recuperabilidade de Neymar?

[Hora da Questão] Exame de Suficiência 2018.1 – Questão 9 Prova Branca

  1. Os seguintes saldos em Duplicatas a Receber e Perdas Estimadas com Créditos de Liquidação Duvidosa (PECLD) constavam no Ativo Circulante do Balanço Patrimonial de uma Sociedade Anônima.

Duplicata a receber R$ PECLD (R$)
Cliente A 10.000,00 -200,00
Cliente B 30.000,00 -1.500,00

                               Sabe-se que, após esgotadas diversas tentativas de cobrança sem sucesso, inclusive utilizando-se de meios judiciais, o departamento jurídico informou ao departamento contábil que havia evidências significativas e objetivas de que o Cliente B não pagaria a dívida de R$ 30.000,00. Considerando-se somente as informações apresentadas, e que os relatórios contábil-financeiros devem representar fidedignamente a realidade econômica da entidade, assinale o valor de perda incorrida com o Cliente B que a Sociedade Anônima deveria reconhecer no resultado do exercício:

  1. R$ 1.500,00
  2. R$ 1.700,00
  3. R$ 28.500,00
  4. R$ 30.000,00

                Resolução:

                               Sabe-se que a posição evidenciada no balanço patrimonial é de forma estática, ou seja, aquele número evidenciado decorreu de evento passado e, dependendo do período, evidencia naquele tempo. Na tabela, os números evidenciados são “saldos iniciais” ou saldos estáticos decorridos de eventos passados, deste modo, podemos interpretar que o Cliente B deve R$ 30.000,00 a empresa mas que a mesma registrou uma perda estimada em R$ 1.500,00 em eventos passados.

                               Dado que novo período o departamento jurídico informou ao contábil que o cliente não quitará a dívida, o saldo não se constitui mais como recurso que irá se converter em benefício econômico futuro, logo, deixa de atender a definição de ativo. Não atendendo a definição de ativo, então, a empresa precisa registar como perda o restante do valor que iria receber do cliente, ou seja, R$ 28.500,00 sendo resposta certa a letra C. Atentar que a empresa já havia registrada uma perda de R$ 1.500,00, deste modo, restava apenas R$ 28.500,00.

Hora da Questão

Abstract blur background. English multiple choice test

                                  Este quadro [Hora da Questão] tem o propósito de ser uma preparação adicional para o Exame de Suficiência (CFC), ENADE, Concursos e entre outras avaliações através de atender questões específicas requisitadas por nossos leitores, podendo ser questões que já foram exploradas nos exames anteriores ou aquelas prováveis a virem. Deste modo, queremos prover para todos que vão prestar estes exames nas diferentes avaliações.

                               Inclusive, independente qual exame prestar, é preciso dedicação e esforço, pois, no caso do exame de suficiência, tem revelado pouco preparo dos estudantes, principalmente os potiguares. Vê abaixo o gráfico com o % de aprovados nos últimos anos:

aprovdos cfc

                               É importante frisar que o profissional contábil só pode exercer sua profissão (instituído pela lei nº 12.249/2010) terá de apresentar a conclusão do curso de bacharelado em ciências contábeis e a aprovação no exame de suficiência. Deste modo, garante o registro no conselho regional de contabilidade e permitindo sua atividade.

Envie-nos sua questão para o email: contamaiscontabilidade@hotmail.com

PARTE 2 – O que é o lucro?

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Afinal, o que é o lucro?

Voltemos ao final do primeiro post sobre o lucro: o lucro está relacionado às receitas e despesas, que por sua vez se relacionam com os ativos e passivos. Se os ativos e passivos são os recursos que a entidade gerencia, sejam como fluxo de entrada de benefícios econômicos ou como fluxo de saída de benefícios econômicos, logo, o lucro é o desempenho da gestão dos recursos econômicos, ou seja, o lucro é desempenho ou a performance de uma determinada companhia para um dado período. Mas nesse caso, cabe a pergunta: será que o lucro reflete efetivamente a performance subjacente, verdadeira, intrínseca de uma empresa? O lucro representa a realidade da empresa em termos de desempenho?

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Lembremos do curioso caso da montadora alemã DaimlerChrysler que adotou o US GAAP (Princípios Contábeis Geralmente Aceitos dos Estados Unidos) em 1998 para listagem na bolsa de valores de Nova York (NYSE). Com a adoção das IFRS (Normas Internacionais de Contabilidade) pela União Europeia, a DaimlerChrysler passou a preparar suas demonstrações financeiras em IFRS a partir de 2005.

Nesse ano, o lucro conforme US GAAP (padrão contábil norte americano) somou 2,8 bilhões de euros. Após as conciliações para normas contábeis conforme as IFRS (padrão contábil internacional), o lucro totalizou 4,2 bilhões de euros (IFRS 2012, 2013, p. 977-979).

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Como pode? Dado que a realidade econômica de uma entidade para um determinado período é uma só, assim como, a performance subjacente para esse período é a mesma, então, como pode o resultado do mesmo período ser 2,8 bilhões de euros pelo US GAAP e 4,2 bilhões de euros pelo IFRS? Quer dizer que se alteramos o ambiente contábil o lucro muda?

Lembremos que as Ciências Contábeis é uma Ciência Social que tem por objetivo representar o patrimônio. Portanto, a contabilidade procura representar fidedignamente a realidade econômica que está reportando. Contudo, por mais fiel que se faça essa representação, será sempre uma representação, e como toda representação pode apresentar imperfeições. Isso implica na prática que os ativos, passivos, receitas e despesas são o resultado da aplicação de um determinado sistema de normas contábeis à realidade econômica. Portanto, se alteramos o sistema de normas, a representação da realidade econômica pode se modificar, embora, a realidade econômica seja a mesma.

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Um dos grandes desafios nos normatizadores contábeis consiste exatamente em estabelecer sistemas de normas contábeis de qualidade que permitam representar fidedignamente essa realidade econômica. Dechow et al (2010) relata exatamente que a dificuldade de se avaliar a qualidade dos lucros (earnings quality) consiste na diferença entre a performance subjacente e a mensuração dessa performance, existindo, assim, um grande espaço para pesquisas nessa linha.

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Então, o lucro é o resultado da aplicação de um sistema de normas contábeis quanto ao reconhecimento e à mensuração de receitas, despesas, ativos e passivos para um determinado intervalo de tempo. Será? E para vocês? O que é o lucro?

 

Fusões & Aquisições, do que se tratam?

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                               Esse é um assunto que está muito em evidência no Brasil nos últimos anos. As empresas vem aproveitando o momento da economia fraca para unirem as atividades, encadeando movimentos de consolidação no mercado e, sem dúvida, o apetite de investidores por ativos no mercado brasileiro. De forma geral e relevante, as empresas realizam Fusões & Aquisições num propósito de sinergia entre os players envolvidos, acrescentando as alterações que ocorrem no ambiente de mercado externo e interno e, bem como, surgimento de novos mercados a explorar, todavia, isto varia de empresa para empresa (Godoy e Santos, 2006, p. 2).

                               Em 2018, tivemos o anúncio da fusão entre as empresas Suzano e Fibria, ambas do setor de papel e celulose. Especialistas acreditam que as duas formarão a maior produtora de celulose de mercado do mundo, ou seja, este movimento tem o objetivo de crescimento orgânico através de aumento de receita ou redução de custos, já que as 2 companhias exercem mesmo papel no mercado, permitindo também poder de barganha no mercado frente a concorrência. A operação envolve a compra da Fibria pela Suzano na totalidade das ações com dinheiro e ações, sendo na nova empresa a participação da Suzano em 46,6% do capital.

Hands putting puzzle pieces together

                               Diferentemente, no mesmo ano de 2018, o Grupo Fleury fez a aquisição do Instituto de Radiologia de Natal, tendo esta operação com o propósito do grupo ingressar em um novo mercado e reforçar sua presença na região nordeste do país, conforme fato relevante publicado pelo Grupo Fleury. O Instituto foi avaliado em R$ 90,0 milhões, ou cerca de 5,9x o Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization) dos 12 meses encerrados em 2017. Vale a pena salientar, o Instituto de Radiologia possui referência nos exames de imagens e qualidade nos serviços ofertados a população.

MA 2

                               No entanto, do que se tratam Fusões & Aquisições? É uma combinação de negócios que integra atividades e ativos capazes de serem conduzidos e gerenciados para gerar retorno. Em outras palavras, ocorre fusão entre o adquirente e os ativos líquidos de um ou mais negócios, conforme Pronunciamento Contábil nº 15 – Combinação de Negócios. Esta norma exige que os ativos adquiridos e os passivos assumidos constituam um negócio, assim, não se aplica a aquisição por entidade de investimento.

                               Mas por que então uma gigante do mercado resolve se unir a outra ou adquirir uma empresa menor? Sinergia é o principal motivo para que ocorra uma combinação de negócios, pois, ela é uma ação associada cujo resultado seja a execução de uma operação ou a realização de uma função orgânica. No ambiente dos negócios, empresas podem gerar sinergias com receitas ou custos, exemplos: com avanço das construções de parque eólicos, uma construtora pode ter sinergia em receitas com uma geradora de energia; duas marcas de bebidas ao combinar negócios, podem apresentar sinergias por compartilhar os custos com distribuição. Ilustrativamente, temos:MA 5

                               Conforme gráfico acima, a empresa A, de forma isolada, tem o valor de mercado a R$ 60 MM, enquanto, a empresa B tem R$ 40 MM. A sinergia foi estimada em R$ 20 MM a qual, de forma sucinta, pode levar em consideração os seguintes aspectos:

  • Capacidade de gerenciar melhor os preços praticados pelo mercado;
  • “Barganhar” preços com fornecedores (produtos e serviços);
  • Melhor eficiência operacional com os custos e despesas (distribuição, recursos humanos, ociosidade, capacidade fabril, etc);
  • Oportunidades no que tange a receitas e novos negócios;
  • Benefícios tributários (alguma das empresas pode ter prejuízo acumulado ou impostos a recuperar);

                               Deste modo, de forma consolidada, o valor final das empresas (A e B) foi estimado em R$ 120 MM. É interessante observar que ao somar de forma simples os valores de mercado de cada empresa resulta em R$ 100 MM, então, a sinergia entre as empresas provoca uma elevação no valor de mercado em 20%. É exatamente dessa sinergia que surge o Goodwill , conceito que será objeto de outra postagem.

MA 3

                               Este tipo de transação não é tão simples e exige um esforço no que tange a negociação, pois são importantes algumas ferramentas no âmbito financeiro e jurídico. No âmbito financeiro, a exemplo, é preciso elaborar uma Avaliação da Empresa (Valuation) com o objetivo de estimar o valor da mesma e executar uma auditoria due diligence com o objetivo de averiguar alguns números evidenciados pelas empresas. No âmbito jurídico, a exemplo, contrato de confidencialidade (a negociação pode declinar com vazamento de informações), assembleias com sócios e credores, etc.

                               Trataremos novamente desse assunto no Blog, mostrando exemplos práticos do que tem ocorrido no mercado.

O que é o lucro? – PARTE 1

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Muito se ouve falar em lucro…Lucro Real, Lucro Presumido, Lucro Líquido, Lucro Regulatório, Lucro Societário e por aí vai…Mas qual efetivamente é o lucro de uma empresa? Quando estamos iniciando nas Ciências Contábeis, a nossa primeira apresentação ao lucro normalmente ocorre na Demonstração dos Resultados dos Exercícios, logo, não temos dúvidas quanto a isso: Lucro = Receitas – Despesas. Bom, o “conceito” não está errado, embora isso não seja propriamente um conceito, mas sim, uma forma de cálculo. Mas será que vocês nunca pararam para pensar: o que efetivamente seria o Lucro? O que ele representa? Qual a melhor forma de medi-lo?

Partindo do “conceito” inicial, se Lucro = Receitas – Despesas, então, precisamos entender do que se trata receitas e despesas. Mas o que são Receitas? O que são Despesas? Essa é fácil, precisamos apenas olhar a norma contábil CPC 00 (R1) – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro:

“Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com a contribuição dos detentores dos instrumentos patrimoniais” (CPC 00, 2011, p. 27);

“Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com distribuições aos detentores dos instrumentos patrimoniais” (CPC 00, 2011, p. 27).

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Então, podemos dizer que Receita é a geração de benefícios econômicos que irá refletir no aumento de um ativo ou na diminuição de um passivo, e irá impactar no aumento do PL, mas que esse aumento de PL não é em função de aporte dos sócios/acionistas.

Pensando o inverso, Despesa é a redução de benefícios econômicos que irá refletir na diminuição de um ativo ou no aumento de um passivo, e irá impactar negativamente no PL, mas que não sejam distribuição aos sócios/acionistas. Num âmbito do senso comum, despesa é o desembolso o qual encolhe o benefício econômico (abstratamente, isto é a exploração do negócio) num determinado período apurado.

Demonstração+de+Resultado+do+Exercício

Faz sentido…se o método contábil usado para registro das transações é o chamado método das partidas dobradas, quando eu credito uma Receita, eu preciso de uma contrapartida: se o débito é de ativo (aumento de ativo) ou se o débito é de passivo (diminuição de passivo). Da mesma forma, quando eu debito uma despesa, eu também preciso de uma contrapartida: se o crédito é no ativo (diminuição de ativo) ou se o crédito é no passivo (aumento de passivo). Mas então se o CPC 00 coloca as definições de receitas e despesas em função dos ativos, passivos a patrimônio líquido, também precisamos saber o que é ativo, passivo e patrimônio líquido? Parece que sim. Como esses conceitos também estão no CPC 00, temos:

“ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade” (CPC 00, 2011, p. 24);

“passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos passados, cuja liquidação se espera que resulte na saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos (CPC 00, 2011, p. 24);

Então, os ativos são os recursos que a entidade controla e que geram benefícios, ou seja, fluxo de caixa, e os passivos são as obrigações que consomem os recursos que geram fluxos de caixas.

14-Aumentar-o-lucro-da-minha-empresa-em-época-de-crise

Assim, o lucro representa os aumentos dos meus recursos que geram fluxo de caixa menos os recursos que consomem fluxo de caixa. Então, esse é o lucro?